GUILLERMO E ENCONTRO COM COLEGAS UFMG 1973 - EM BELO HORIZONTE - CHURRASCARIA NA CONTORNO - E JN RESORT -DOENÇA DE CHAGAS - HERPES ZOSTER -SARAMPO -MALÁRIA- ANSIEDADE GENERALIZADA -DIME QUANDO QUANDO SAN REMO 1962 - OS MAIORES SUCESSOS DA MÚSICA ITALIANA 60'S
Transmissão
- Manifestações agudas
- Manifestações tardias
- O diagnóstico da Doença de Chagas
- Combate à Doença de Chagas
A Doença de Chagas, descrita por Carlos Chagas em 1909, atinge, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), entre 6 e 7 milhões de pessoas no mundo, a maioria na América Latina. E embora seja difícil a sua cura, a doença pode ser prevenida.
A doença de Chagas é causada pelo Trypanosoma cruzi, um tropozoário, e é transmitida de um hospedeiro a outro por insetos, no caso humano, é transmitido pelo barbeiro.
A doença de Chagas estava primitivamente restrita aos pequenos mamíferos das matas e campos da América, desde a Patagônia até o sul dos Estados Unidos. Esses animais (tatus, gambás, roedores) convivem com barbeiros silvestres, e através de uma interação biológica, entre eles circula o Trypanosoma cruzi. Com a chegada do homem e os processos de colonização, em muitos lugares aconteceram desequilíbrios ecológicos (desmatamentos, queimadas) e os barbeiros foram desalojados, invadindo as habitações rústicas e pobres dos lavradores e colonos. A doença chegou ao homem e aos mamíferos domésticos. Hoje existem pelo menos 12 milhões de pessoas infectadas pelo Trypanosoma cruzi, das quais 5 a 6 milhões em nosso país.
O tripanossoma é transmitido no ato de alimentação do inseto. Assim que o barbeiro termina de se alimentar ele defeca, eliminando protozoários e colocando-os em contato com a ferida e a pele da vítima. A doença de Chagas também pode ser transmitida por transfusão sanguínea ou durante a gravidez, de mãe para filho.
Normalmente o quadro clínico da infecção surge de cinco a 14 dias após a transmissão pelo barbeiro e 30 a 40 dias para infecções por transfusão sanguínea, mas as manifestações crônicas da doença de Chagas aparecem mais tarde, na vida adulta.
Mais ou menos de quatro a seis dias após o contato com o barbeiro pode surgir uma inflamação no local da entrada do parasito. Quando a infecção se dá no olho ou próximo a ele, o olho pode ficar inchado, sinal característico da doença, mas pouco frequente. Quando ocorre na pele dos braços, pernas ou rosto, a lesão inicial pode se assemelhar a um furúnculo ou a uma mancha avermelhada quase sempre dolorosa. Essas lesões iniciais frequentemente são acompanhadas de "ínguas" nas regiões próximas do local de contaminação.
A febre é um dos sintomas mais frequentes nessa fase da doença, as vezes o único. Trata-se de febre baixa e contínua, geralmente durando semanas. Alguns dias após a penetração do parasito vão aparecendo mal-estar, falta de apetite, aceleração dos batimentos cardíacos, aumento do tamanho do baço e fígado, inchaço da face e de todo o corpo, indicando a disseminação da doença para todo o corpo. Trata-se da fase aguda da doença. Esse quadro é mais comum entre as crianças, mas jovens (um a cinco anos). Em pessoas mais velhas, geralmente, esses sinais ficam muito atenuados e fase inicial da doença passa desapercebida, confundindo-se com uma gripe ou mal-estar.
A fase aguda tende a desaparecer espontaneamente. Porém em certos casos graves, sobretudo em crianças, pode sobrevir a morte devido a um ataque intenso do parasito aos órgãos e tecidos mais nobres do corpo, como coração e o sistema nervoso central.
A descoberta da doença nessa fase inicial é extremamente importante, pois os recursos de tratamento, hoje disponíveis, podem, inclusive, proporcionar cura total da infecção, especialmente se o medicamento for dado adequadamente e precocemente.
Passada a fase aguda, as manifestações da doença vão depender de muitos fatores, dentre os quais a capacidade de defesa do organismo e a intensidade agressora do tripanossoma. Muitos pacientes podem passar um longo período, ou mesmo a vida toda, sem apresentar nenhuma manifestação da doença, embora sejam portadores da doença, chamada de forma latente. Em outros casos, entretanto, a doença progride e, passada a fase inicial, pode comprometer muitos órgãos, principalmente o coração e o aparelho digestivo.
O coração é o órgão mais lesado. O coração aos poucos vai se dilatando e crescendo, atingindo dimensões enormes. São comuns nessa fase avançada, as pernas ficarem inchadas, sensação de fraqueza, palpitações e falta de ar. Não são raras, infelizmente, as morte súbitas e inesperadas entre indivíduos jovens, aparentemente sadios. Mas a maior parte dos pacientes não chega a desenvolver formas graves da doença no coração e poderão ter uma vida praticamente normal.
Os comprometimentos digestivos se traduzem geralmente pelo aumento do calibre do esôfago ou porções finais do intestino. Essas alterações podem determinar dificuldade progressiva para deglutir e constipação intestinal prolongada.
Através dos sintomas acima descritos e história de contato com o barbeiro pode-se suspeitar da doença de Chagas. Entretanto, para se ter certeza, exames especiais são necessários. Na fase aguda deve-se procurar o Trypanosoma cruzi no sangue e na fase tardia da doença são necessários outros métodos, as reações sorológicas, já que a quantidade de tripanossomas no sangue é muito pequena nessa fase. Há vários tipos dessas reações, sendo as mais usadas a imunofluorescência e de Guerreiro Machado.
Apesar de muitas pesquisas e de grandes progressos alcançados no estudo da doença de Chagas, o seu tratamento apresenta, ainda hoje, muitos problemas. Alguns medicamentos já existem, capazes de matar e destruir o Trypanosoma cruzi no período inicial da doença, trazendo esperanças a muitas pessoas infectadas. Compete ao médico decidir sobre a necessidade e a conveniência do tratamento de cada caso, individualmente. Os cientistas prosseguem pesquisando novos medicamentos contra o terrível tripanossoma. Infelizmente, as lesões do coração e outros órgãos, que já estiveram presentes são irreversíveis e não serão curados com a eliminação do parasito. Cuidados médicos especiais deverão ser instituídos frente aos sinais mais graves da doença.
Não existe vacina contra a doença de Chagas, e a melhor maneira de enfrentá-la ainda se dá por meio da prevenção e do controle, combatendo sistematicamente os vetores, mediante o emprego de inseticidas eficazes, construção ou melhoria das habitações para evitar a proliferação dos barbeiros, eliminação dos animais domésticos infectados, uso de cortinados nas casas infestadas pelos vetores, controle e descarte do sangue contaminado pelo parasita e seus derivados.
Copyright © 2017 Bibliomed, Inc. 15 de março de 2017
HERPES ZOSTER
Introdução
- Como a doença ocorre?
- Quais os sintomas?
- Como é feito o tratamento?
O herpes zoster (HZ) é uma doença causada por um vírus, o mesmo que causa a varicela (ou "catapora"). Popularmente, o HZ é conhecido como "cobreiro", e é erroneamente relacionado ao contato com animais como sapos, cobras, aranhas, lagartixas, entre outros.
O HZ é mais comum em idosos, porém adultos jovens e adolescentes também podem desenvolver a doença. Além disso, os pacientes portadores do vírus HIV/AIDS estão em risco aumentado de apresentar o HZ. Vejamos por que.
Geralmente, durante a infância a criança é infectada pelo vírus varicela-zoster, como é chamado, e desenvolve a doença inicial, ou seja, a catapora. É possível que algumas pessoas que se infectam com esse vírus apresentem formas mais leves da doença, não sendo a mesma diagnosticada.
Após a resolução da catapora, o vírus não é eliminado do organismo, ficando em um estado que chamamos de "latência". Nessa fase, ele não causa nenhum dano ao organismo, e a pessoa é completamente assintomática. O principal local onde ele habita nessa fase é representado pelos nervos que saem da coluna vertebral.
Embora não se saiba exatamente o que causa a reativação do vírus, acredita-se que uma baixa de imunidade seja a causa responsável. Assim, situações nas quais a doença pode surgir seriam: uso de medicamentos imunossupressores (como os pacientes com câncer); portadores do vírus HIV/AIDS (doença que ataca as células do sistema imune, destruindo-as); após cirurgias de grande porte; idade avançada (o envelhecimento associa-se a redução da atividade do sistema imune); uso crônico de corticóides; após queimaduras solares; durante forte estresse emocional. Em todas essas situações, o comprometimento do sistema imune pode permitir que o vírus fique ativo novamente.
Quando reativado, o vírus "caminha" através dos nervos, até atingir a pele, onde leva ao desenvolvimento das características da doença.
Uma pessoa não pode desenvolver HZ após o contato com um doente, mas pode desenvolver a catapora, caso ainda não tenha tido essa doença ou não tenha sido vacinada. As vesículas (lesões características da doença) são preenchidas por líquido, no qual encontram-se os vírus. Assim, deve-se evitar o contato dos doentes com grávidas, crianças, pacientes com comprometimento do sistema imune (câncer, HIV/AIDS) e outras pessoas que não tiveram catapora previamente, pelo menos até que as lesões estejam secas e com crostas.
Os primeiros sintomas da doença são descritos como uma dor em queimação, aguda, formigamento ou dormência na região da pele acometida. Também é comum o relato de coceira. O local mais comum de aparecimento da doença é o abdome, mas pode surgir também na face. Sintomas gerais, como febre, mal-estar, dor de cabeça e desconforto no estômago podem também estar presentes.
Após um período variável de tempo, surgem as lesões características da doença. Elas são representadas por pequenas vesículas ("bolhas"), cheias de líquido, com a base avermelhada. São extremamente dolorosas, e às vezes a pessoa não tolera nem o contato com a roupa. Depois de 2 a 3 dias, as vesículas ficam amareladas, secam e formam crostas que, quando se soltam, podem deixar algumas cicatrizes. Essas bolhas aparecem normalmente em apenas um lado do corpo, acompanhando o trajeto do nervo acometido.
A dor melhora gradativamente com a resolução do quadro, porém nos idosos ela pode permanecer por longos períodos de tempo após a cura da doença. Essa condição é chamada de "neuralgia pós-herpética", e ocorre em 10% a 15% dos pacientes.
A doença é auto-limitada, ou seja, resolve-se sozinha em um período médio de 15 dias, sem necessidade de tratamento. Isso permite que as pessoas acreditem em simpatias e remédios caseiros milagrosos, aos quais é atribuída a cura da doença. As lesões de pele desaparecem em 1 a 3 semanas e a dor/irritação em 3 a 5 semanas.
O quadro mais grave, felizmente mais raro, é quando a doença acomete a pele na região próxima ao olho. Nesses casos, o HZ pode atingir as estruturas oculares, podendo levar até à cegueira. Qualquer acometimento suspeito nessa região indica uma consulta oftalmológica de urgência.
O diagnóstico é clínico, já que as lesões de pele são bastante características.
O tratamento é, basicamente, direcionado aos sintomas, já que não existe cura. Deve ser iniciado o mais rápido possível, já que a dor pode ser extremamente forte. Cuidados gerais incluem o uso de pomadas frescas, para alívio da dor e da coceira, e de analgésicos (como o paracetamol).
Eventualmente, o médico pode prescrever algum medicamento, para ajudar na resolução do quadro, como:
- Drogas antivirais, como o aciclovir. Esse medicamento pode acelerar a recuperação e reduzir a chance de prolongamento dos sintomas.
- Analgésicos mais potentes, nos casos em que o paracetamol não for suficiente.
- Antibióticos tópicos, para evitar infecção secundária das vesículas.
- Corticóides, especialmente para os pacientes idosos.
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SARAMPO
Definição
- Sintomas
- Diagnóstico e tratamento
- Prevenção
O sarampo é uma doença infecciosa aguda, viral, transmissível, extremamente contagiosa e muito comum na infância. É causada pelo vírus Morbillivirus, e configura-se como uma das principais responsáveis pela mortalidade infantil em países do Terceiro Mundo. No Brasil, campanhas de vacinação e programas de vigilância epidemiológica eficazes reduziram a mortalidade, que hoje não chega a 0,5%.
A transmissão ocorre de pessoa para pessoa, geralmente decorrente de contato com secreções de pessoas infectadas, através de tosse, espirros, fala ou respiração. Também é possível se contaminar através da dispersão de gotículas com partículas virais no ar, que podem perdurar por tempo relativamente longo no ambiente, especialmente em locais fechados como escolas e clínicas. A doença é transmitida, principalmente, na fase incial da doença, mas pode perdurar até quatro dias após o aparecimento das manchas vermelhas.
Os sintomas iniciais do sarampo são febre acompanhada de tosse persistente, mal-estar, coriza, irritação ocular, falta de apetite e corrimento do nariz. Com o progredir da doença, aparecem manchas avermelhadas no rosto, que progridem em direção aos pés, com duração mínima de três dias. Além desses sintomas, podem ocorrer, ainda, infecções nos ouvidos, pneumonias, diarreias,convulsões, lesão cerebral e morte.
Recém-nascidos, gestantes, pessoas com imunodeficiência e desnutridos.
O diagnóstico do sarampo deve ser confirmado por um médico, podendo ocorrer por exame clínico ou laboratorial ( IgM para Sarampo ou PCR - reação da cadeia de polimerase - para identificar o vírus). O médico, então, indicará o tratamento adequado.
Não existe tratamento específico para a infecção por sarampo, sendo o tratamento profilático com antibiótico contraindicado. Tanto o Ministério da Saúde quanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendam a administração da vitamina A em crianças acometidas pela doença, a fim de reduzir a ocorrência de casos graves e fatais, seguindo a dosagem de:
• Crianças menores de seis meses de idade - 50.000 Unidades Internacionais(U.I.): uma dose, em aerossol, no dia do diagnóstico; e outra dose no dia seguinte.
• Crianças entre seis e 12 meses de idade - 100.000 U.I: uma dose, em aerossol, no dia do diagnóstico; e outra dose no dia seguinte.
• Crianças maiores de 12 meses de idade - 200.000 U.I.: uma dose, em aerossol ou cápsula, no dia do diagnóstico; e outra dose no dia seguinte.
Faz-se importante, também, manter a hidratação, o suporte nutricional e abaixar a temperatura corporal em casos de febre. As complicações como diarréia, pneumonia e otite média, devem ser tratadas de acordo com normas e procedimentos estabelecidos pelo Ministério da Saúde.
O tempo de recuperação varia de criança para criança. sendo que muitas necessitam de quatro a oito semanas para recuperação.
A prevenção do sarampo se dá através da vacinação. Crianças devem tomar duas doses da vacina combinada contra rubéola, sarampo e caxumba (tríplice viral): a primeira, com um ano de idade e a segunda dose, entre quatro e seis anos. Os adolescentes e adultos também podem tomar a vacina tríplice viral ou dupla viral (contra sarampo e rubéola).
Copyright © 2017 Bibliomed, Inc. 19 de abril de 2017
MALÁRIA
MALÁRIA -
Introdução
A malária é causada por protozoários parasitas do gênero Plasmodium, os quais são transmitidos aos humanos pelas fêmeas dos mosquitos anofelinos. Os plasmódios adaptaram-se a diversos hospedeiros, desde répteis a mamíferos. A primeira descrição de malária, em humanos, data do período entre 25 anos antes de Cristo a 54 anos depois de Cristo, com relato de febre com periodicidade terçã e quartã.
Atualmente, são reconhecidas cinco espécies causadoras de malária, em humanos. Porém, a maioria dos casos é causada por duas delas, a P. falciparum e a P. vivax. Em todo o mundo, estima-se que centenas de milhares de infecções ocorram anualmente, e o impacto histórico da doença ocasionou alterações genômicas por meio de pressão evolutiva sobre os genes envolvidos na estrutura e no metabolismo das hemácias humanas. A mortalidade por malária ainda é significativa, com aproximadamente 2.000 mortes por dia no mundo. Mais recentemente, tem-se reconhecido que a malária possa ser responsável, indiretamente, por mais da metade de todas as infecções bacterianas invasivas em cenários de alta transmissão.
A infecção era disseminada, até algumas décadas atrás. Na década de 50, a doença foi considerada erradicada nos EUA e a partir de 1955 foi lançada a campanha para erradicação global da doença, levando à eliminação da transmissão em diversos países. Infelizmente, isso não aconteceu na África sub-Sahariana e nem no sul da Ásia.
Os sintomas mais comuns da malária são:
- Calafrios
- Febre alta
- Dores de cabeça e musculares
- Taquicardia
- Aumento do baço
- Delírios (em raros casos)
Os sintomas menos comuns da malária são:
- Rigidez na nuca
- Perturbações sensoriais
- Desorientação
- Sonolência ou excitação
- Convulsões
- Vômitos
- Dores de cabeça
- Casos letais da malária (malária cerebral) são, geralmente, causadas por P. falciparum
O manejo dos pacientes com malária depende da espécie envolvida. No caso em que a espécie não esteja definida, recomenda-se que o tratamento seja realizado como se a infecção fosse devida ao P. falciparum, até que a confirmação seja obtida. De qualquer forma, o tratamento deve, preferencialmente, ser conduzido por especialista com experiência no tratamento da malária.
O tratamento medicamentoso sofreu uma significativa transformação após a introdução dos esquemas contendo artemisinina (ACTs). Seu mecanismo de ação não é totalmente conhecido, mas sabe-se que essa droga atua em todos os estádios do ciclo eritrocítico do plasmódio, levando a redução rápida da parasitemia. Além disso, é capaz de eliminar formas precoces e prevenir o desenvolvimento de trofozoítos mais maduros e esquizontes, que causam doença grave.
1. Malária por P. falciparum
Essa infecção pode ser definida como grave ou não-grave (ou complicada e não complicada), com base na presença de pelo menos um critério de gravidade pela Organização Mundial de Saúde (OMS): rebaixamento do nível de consciência, prostração, crises convulsivas, desconforto respiratório, choque circulatório, icterícia associada a outra disfunção de órgão vital, sangramento anormal, hemoglobinúria, acidose metabólica, hipoglicemia, anemia grave (Hb < 5 g/dL), insuficiência renal e hiperparasitemia.
1.1. Infecção Não-Grave
As recomendações de tratamento da malária não-grave variam entre os países. Segundo as recomendações do Centers for Disease Control (CDC), dos EUA, e do Reino Unido, o tratamento deve ser iniciado após a confirmação laboratorial, exceto em situações especiais. Logo após o diagnóstico, o tratamento deve ser iniciado prontamente, mesmo que não seja o de primeira escolha. Uma vez disponibilizada a terapia ideal, o tratamento pode ser modificado. A OMS recomenda empregar ACTs como primeira linha de tratamento, existindo cinco opções de esquemas:
• Artemether/Lumefantrina
• Artesunato/Amodiaquina
• Artesunato/Mefloquina
• Artesunato/Sulfadoxina-
• Dihidroartemisina/Piperaquina
Já o CDC recomenda o emprego da cloroquina nos casos de doença adquirida em regiões nas quais o P. falciparum seja sensível. Se o padrão de resistência não for conhecido, sugere-se o uso de atovaquona-proguanil, artemether-lumefantrina ou quinina mais doxiciclina/tetraciclina/
O CDC e o consenso do Reino Unido recomenda que todos os pacientes com malária por P. falciparum sejam hospitalizados para monitoração da resposta ao tratamento e observação de possível progressão, devido à mortalidade significativa mesmo em pacientes jovens e previamente saudáveis, que podem apresentar deterioração rápida. O tratamento ambulatorial deve ser considerado para pacientes selecionados e tratados em centros com experiência no manejo da malária.
1.2. Infecção Grave
Dois grandes estudos conduzidos na Ásia e na África mostraram a superioridade do artesunato em comparação ao quinino, no tratamento da malária grave. Uma revisão recente mostrou redução de quase 40% no risco de morte em adultos com malária grave tratados com artesunato, em comparação ao quinino, sendo a redução de 24% em crianças.
A despeito desses resultados, ainda existem dúvidas quanto à indicação do artesunato como primeira escolha no tratamento de malária dita "importada" de outro país. Diversos questionamentos quanto à metodologia desses estudos e relatos mais recentes de eventos adversos não previstos com o artesunato levam a dúvidas quanto ao tratamento de primeira linha da malária do viajante com essa droga. Porém, as evidências disponíveis apontam claramente a superioridade do artesunato no tratamento da malária grave. O ponto chave do tratamento é a administração imediata do tratamento e, assim que o paciente tolere, deve-se adicionar um segundo agente ao escolhido para primeira linha.
Por se tratar de condição ameaçadora à vida, a malária grave deve ser manejada por profissionais experientes e em um contexto apropriado. O cuidado de suporte é o mesmo empregado para outros processos infecciosos graves, embora ainda não existam evidências diretas do benefício da abordagem guiada por objetivos, na sepse. Existem dúvidas quanto ao manejo da hidratação venosa desses pacientes, e um estudo randomizado mostrou que, em crianças com infecção grave e sinais de hipoperfusão, a fluidoterapia foi associada a aumento da mortalidade. No entanto, 60% dessas crianças apresentavam infecção por P. falciparum e os resultados desse grupo foram semelhantes aos das crianças sem malária.
O consenso do Reino Unido sugere que a pressão venosa central seja monitorada, mantendo-se uma pressão atrial direita inferior a 10 cmH2O, enquanto a OMS recomenda manter essa pressão entre 0-5 cmH2O. Porém, evidências mais recentes questionam se a manutenção desses valores seria capaz de manter a perfusão, devendo-se evitar hidratação com grande volume. Atenção deve ser prestada à existência de coinfecção bacteriana, nos pacientes com malária grave, uma ocorrência que não é incomum. Hemoculturas devem ser realizadas para todos os pacientes.
A glicemia deve ser acompanhada cuidadosamente, pois derivados de quinino estão associados a hipoglicemia, o que é menos comum com o artesunato. A administração de quinina e quinidina deve ser feita por infusão controlada, pelo risco de hipotensão grave e fatal; além disso, devem ser submetidos a monitorização eletrocardiográfica, pelo risco de prolongamento do intervalo QT.
1.3. Terapias Adjuvantes
Diversos agentes adjuvantes foram testados na tentativa de reduzir a mortalidade associada à malária, incluindo corticosteróides, anticorpos contra o fator de necrose tumoral alfa (TNF-α), pentoxifilina, desferroxamina, n-acetilcisteína, heparina, aspirina e manitol. Porém, nenhum estudo conseguiu demonstrar benefício em termos de mortalidade para tais terapias.
A exsanguineotransfusão atualmente encontra-se recomendada nos casos de parasitemia superior a 10%, malária cerebral, síndrome do desconforto respiratório ou complicações renais, segundo o CDC. Não existem evidências fortes que dêem suporte ao uso da exsanguineotransfusão, sendo sua indicação baseada principalmente em relatos e séries de casos.
2. Malária Não-Falciparum
O tratamento da malária por P. vivax ou P. ovale divide-se em manejo do quadro febril agudo e no manejo de hipnozoítos para prevenção de recaídas. O P. malariae e o P. knowlesi não apresentam estádio de hipnozoítos, e o tratamento voltado para a fase aguda já é suficiente.
O tratamento agudo é realizado com a cloroquina, normalmente na dose inicial de 600 mg, seguido de 300 mg de 6-8 horas depois e 300 mg nos dias 2 e 3. No caso de doença grave e na ausência de cloroquina injetável, pode-se empregar quinina, quinidina ou artesunato, nas mesmas doses empregadas no tratamento da malária grave por P. falciparum.
O medicamento aprovado para abordagem dos hipnozoítos é a primaquina. Lembrar que os pacientes com deficiência de glicose-6-fosfato desidrogenase podem apresentar hemólise grave quando tratados com primaquina e seu composto relacionado, a tafenoquina. Nesse contexto, a cloroquina pode ser administrada semanalmente como profilaxia por seis meses.
ANSIEDADE GENERALIZADA
Ansiedade generalizada
© Equipe Editorial Bibliomed
O que é?
A denominada síndrome de ansiedade generalizada destaca-se pela ocorrência de manifestações ansiosas excessivas, na maior parte dos dias, por pelo menos seis meses consecutivos. O indivíduo mostra-se tenso, angustiado, preocupado, nervoso ou irritado.
Como se detecta?
O diagnóstico dessa síndrome é clínica, baseada nos sintomas relatados pela pessoa ao médico. A classificação de uso corrente no meio médico, uma das mais aceitas na atualidade, é a que segue abaixo:
A ansiedade generalizada é detectada na vigência de pelo menos seis dos sintomas que se seguem, durante um período maior ou igual a seis meses.
Tensão motora
Tremores, torções ou sensação de instabilidade;
Tensão muscular, dores ou dolorimento;
Inquietação;
Cansaço fácil.
Hiperatividade autônoma
Sensação de falta de ar ou de asfixia;
Batedeira no peito ou sensação de freqüência cardíaca acelerada;
Boca seca;
Náuseas, diarréia ou desconfortos abdominais;
Fogachos ou calafrios;
Micção freqüente;
Problemas para engolir ou sensação de “bolo” na garganta.
Vigilância e rastreamento
Sente-se agitado e ligado;
Resposta exageradamente sobressaltada;
Dificuldade de concentração ou “branco na mente” devido à ansiedade;
Problemas com quedas ou para manter-se acordado;
Irritabilidade.
Os sintomas mais freqüentes são insônia, dificuldade para relaxar, angústia constante, irritabilidade aumentada e dificuldade em concentrar-se. Associam-se comumente manifestações físicas como tontura, dores de cabeça, dores musculares, dor de estômago, formigamentos, suor frio, “gastura”, “repuxamento dos nervos” e “cabeça ruim”.
Conforme dito, para se obter um diagnóstico correto, é necessário que os sintomas estejam causando um sofrimento significativo e prejudicando a vida social e laborativa do indivíduo.
Como é tratada?
Nas ansiedades generalizadas, os antidepressivos se mostram menos eficazes para adequado controle dos sintomas. Nesse caso é os melhores resultados são obtidos com o uso de medicamentos benzodiazepínicos, uma vez que demonstram melhores resultados em tal distúrbio. Lembre-se, somente seu médico poderá aconselhá-lo na abordagem desta condição.
DIME QUANDO, QUANDO - SAN REMO 1962


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